Sou o Wagner. Escrevo, fotografo e penso demais.
Vim de João Pessoa e hoje moro em São Paulo. Processo o mundo escrevendo. É assim que as coisas fazem sentido pra mim. O que é bonito, o que é verdadeiro, o que me toca: é aqui que isso vira texto.
O cinema me interessa menos como entretenimento e mais como espelho. Um bom filme costuma dizer, por vias tortas, algo sobre quem somos, sobre o amor, sobre Deus. Escrevo sobre fé pela mesma razão. Não pra convencer ninguém, mas porque é a lente por onde enxergo. E fotografo pra guardar o que a pressa apagaria.
Esse jeito de funcionar tem nome, e eu levei uma vida pra saber. Descobri adulto que carrego TDAH e altas habilidades juntos, uma combinação que se parece com autismo por fora e confunde qualquer um, inclusive quem vive dentro dela. O diagnóstico não me mudou. Me apresentou. Coisas que eu tratava como defeito eram funcionamento. Tem sido libertador de um jeito que ainda estou aprendendo a dizer, e solitário também. Quanto melhor me entendo, mais percebo o quanto desse caminho se faz por dentro.
Foi escrevendo que comecei a entender isso tudo. Nos dias pesados deste ano, comecei a escrever como quem fala com Deus, sem amarra nenhuma, e os textos saíam enormes. Quando percebi, escrever tinha deixado de ser registro e virado o meu jeito de pôr ordem no caos.
Daí nasceu o resto. Tudo que me atravessava escapava que nem água entre os dedos: um artigo, um vídeo longo demais pra minha atenção, uma ideia no meio do caminho, uma conversa boa com uma IA que merecia virar nota. Ver coisa valiosa passando sem ficar era um tipo de tristeza difícil de explicar. Então montei o que se costuma chamar de segundo cérebro, um caderno digital no Obsidian onde tudo isso chega com um toque e espera por mim no fim do dia. Saber que está tudo lá mudou minha relação com o próprio pensar. O grafo na página inicial é esse caderno visto de cima.
E se quase tudo fica guardado, alguma coisa pede pra sair. Cheguei a pensar nas redes sociais e desisti antes de começar. Lá a gente escreve mirando o de fora (a curtida, o comentário, a percepção alheia) e nem percebe. Eu queria o contrário. Então fiz este site e publico aqui primeiro pra mim mesmo. O link mora na minha bio, sem explicação nenhuma. Quem tiver curiosidade encontra, e até lá eu sigo voltando, relendo, ajustando. Talvez um dia eu divulgue. Hoje não sinto. Amanhã, quem sabe.
Se algo aqui te fizer parar por um instante, já valeu.
O trabalho fica em outro endereço: portfolio.wagnerlima.cc, com os cases, a stack e o currículo.
