João 2

16 min de leitura

Jesus não veio reformar o templo, veio substituí-lo

não façais da casa de meu Pai casa de negócio
Seis talhas de pedra antigas alinhadas em um interior de pedra escuro e vazio. Cinco permanecem na penumbra índigo; a do centro é atravessada por dentro por uma luz âmbar quente, como se o conteúdo dela brilhasse.

Leia o capítulo primeiro. Este estudo acompanha o texto, não o substitui.

João 2 em um minuto

  • Num casamento em Caná, o vinho acaba, e Jesus manda encher de água seis talhas de purificação. Sai vinho, e o melhor da festa (2:1-10).
  • João chama aquilo de princípio dos sinais: Jesus manifestou a sua glória, e os discípulos creram nele (2:11).
  • Depois de poucos dias em Cafarnaum, Jesus sobe a Jerusalém na Páscoa e expulsa o comércio do templo com um açoite de cordas (2:12-16).
  • Cobrado por um sinal que autorizasse aquilo, responde com um enigma: destruí este santuário, e em três dias o levantarei. Falava do próprio corpo, e ninguém entendeu até depois da ressurreição (2:18-22).
  • O capítulo fecha com muita gente crendo por causa dos sinais, e com Jesus não se confiando a eles, porque sabia o que havia no homem (2:23-25).
  • Tese: os dois episódios são a mesma coisa vista de dois ângulos. A água da purificação vira vinho de festa, e o templo de pedra é trocado pelo corpo dele. O sistema antigo não é xingado, é cumprido e superado.

O que acontece no capítulo

Bodas de Caná (2:1-11)

"Três dias depois", um casamento numa aldeia pequena da Galileia. O vinho acaba, o que numa festa de vários dias era vexame social, não detalhe logístico. A mãe de Jesus avisa; ele responde com "Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora" (v. 4), e ela, sem discutir, diz aos serventes: "Fazei tudo o que ele vos disser" (v. 5). Jesus usa as seis talhas de pedra da purificação ritual, algo entre 420 e 720 litros no total, e dá as ordens diretamente aos serventes: encham, tirem, levem. O mestre-sala prova sem saber de onde veio, chama o noivo e o parabeniza por um vinho que o noivo não fez: "guardaste o bom vinho até agora" (v. 10). João fecha com a chave de leitura de todo o Evangelho: princípio dos sinais, manifestou a sua glória, os discípulos creram (v. 11).

Repara nisso: Deus se revela a quem serve, independente da posição.

Detalhe próximo de água sendo despejada de um jarro de barro para dentro de uma talha de pedra. No alto, o fio de água ainda é transparente e frio; na parte de baixo já é âmbar profundo, a transformação acontecendo no meio da queda. Só mãos e antebraços de servos entram no quadro, sem rosto, marcados pelo trabalho. Fundo índigo escuro, com a luz vindo de um único ponto acima.

Cafarnaum e o templo (2:12-22)

Passagem rápida por Cafarnaum, com a mãe, os irmãos e os discípulos, e subida a Jerusalém na Páscoa. Jesus faz um açoite de cordas e expulsa o comércio: "não façais da casa de meu Pai casa de negócio" (v. 16). Aos que vendiam pombas ele não usa açoite nenhum, apenas fala. Os discípulos se lembram do Salmo 69:9. Cobrado por um sinal que autorizasse aquilo, responde: "Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei" (v. 19). Os interlocutores calculam quarenta e seis anos de obra; ele falava do corpo (v. 21), e a ficha só cai depois da ressurreição, quando eles creem na Escritura e na palavra dele (v. 22).

Repara nisso: O que caiu não foram mesas, mas uma lógica.

O rescaldo de um mercado desfeito no átrio externo de um templo antigo. Uma mesa de madeira tombada de lado, moedas espalhadas pelo chão de pedra, uma gaiola de vime aberta e vazia. Não há ninguém em cena. Um único feixe de luz âmbar entra por um vão alto entre colunas e cai sobre o chão limpo além das moedas, abrindo um espaço vazio. O índigo profundo domina o resto do quadro.

A fé que vê sinais (2:23-25)

Ainda na Páscoa, muitos creem no nome dele vendo os sinais que fazia. E Jesus não se confia a eles, porque conhecia a todos e não precisava que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, "porque ele mesmo sabia o que havia no homem" (v. 25). O capítulo termina com uma fé que Jesus recebe sem entregar nada em troca.

Repara nisso: Nem quem crê escapa disso.

Muitas pequenas lamparinas acesas do lado de fora de uma casa de pedra, formando uma linha âmbar quente na noite índigo. Uma janela treliçada na fachada permanece completamente escura por dentro, sem nenhuma luz atravessando. Não há figuras humanas. Composição frontal e minimalista, com o interior escuro ocupando o centro do quadro.

Chaves pra não se perder

"Casa de meu Pai", não "casa de oração". A frase "casa de oração", que muita gente coloca na boca de Jesus aqui, é dos sinóticos, que citam Isaías 56:7. Em João o contraste é outro: casa de meu Pai contra casa de negócio. A expressão "casa de meu Pai" só volta uma vez em João, em 14:2.

Santuário, não complexo. Nos vv. 14 e 15, onde estavam os vendedores, o grego usa hierón, o complexo inteiro do templo. No v. 19, quando Jesus fala em destruir e reconstruir, muda para naós, o santuário, o lugar da presença. A ARA marca a diferença traduzindo por "santuário". A troca é deliberada e é ela que prepara o v. 21.

"Mulher" não é grosseria, mas também não é banal. O vocativo é forma respeitosa no grego comum, usada inclusive com mulheres de alta posição. O que não tem paralelo claro na literatura antiga é um filho se dirigindo à própria mãe assim, e os estudiosos divergem sobre o que isso significa. Jesus repete o mesmo vocativo com ela na cruz, em 19:26.

O "todos" do v. 15 é ambíguo no grego. A frase pode significar que Jesus expulsou todos, pessoas e animais, ou que expulsou tudo aquilo, ou seja, as ovelhas e os bois. As duas leituras são gramaticalmente possíveis, e as traduções se dividem. Ver a pergunta sobre o açoite, mais abaixo.

Raízes no Antigo Testamento

Em João 2EcoO que está sendo dito
"Três dias depois" (2:1)Êxodo 19:10-11,16No Sinai, o povo se consagra e a glória desce ao terceiro dia. Em Caná, terceiro dia, festa de aliança, e "manifestou a sua glória"
Casamento (2:1)Oseias 2:19-20; Isaías 62:4-5A aliança entre Deus e o seu povo é descrita como casamento
Talhas "para a purificação dos judeus" (2:6)Levítico 11:33; Números 19Vaso de barro contaminado se quebra; pedra era tida como material que não contrai impureza. Os vasos do sistema de pureza viram os vasos da festa
Vinho bom e em excesso (2:9-10)Isaías 25:6; Amós 9:13-14Vinho abundante é imagem do banquete e da restauração que Deus promete
Mercado no templo (2:14-16)Zacarias 14:21; Malaquias 3:1-3No dia do SENHOR não haverá mais mercador na casa dele; o Senhor virá subitamente ao seu templo para purificar
"O zelo da tua casa me consumirá" (2:17)Salmo 69:9O justo perseguido é devorado pelo zelo pela casa de Deus
"Em três dias o reconstruirei" (2:19)Oseias 6:2Ao terceiro dia ele nos ressuscitará, e viveremos diante dele

O eco mais importante é o do Salmo 69:9, e por um detalhe que se perde na leitura rápida. No salmo, o verbo está no passado: o zelo pela casa consumiu Davi. João cita no futuro: consumirá. A mudança é reconhecida como deliberada, e ela transforma a lembrança dos discípulos em profecia. O zelo que Jesus acabou de demonstrar no templo é o mesmo que vai matá-lo. Naquele momento eles provavelmente só se lembraram de um versículo sobre zelo; João, escrevendo décadas depois, sabe onde aquele zelo terminou. O Salmo 69 volta na paixão em outros pontos do Evangelho, inclusive no "odiaram-me sem causa" de 15:25.

Perguntas que o capítulo levanta

Por que Jesus chama a própria mãe de "Mulher", e a resposta é dura? (2:4)

São duas coisas separadas. O vocativo "Mulher" é forma respeitosa no grego comum, usada até com mulheres de alta posição, e Jesus o repete com ela ao pé da cruz. A rispidez, se houver, está na outra parte: "que tenho eu contigo" traduz um idiomatismo semítico que aparece em Juízes 11:12, 1 Reis 17:18, 2 Reis 3:13, 2 Crônicas 35:21 e, no Novo Testamento, na boca de demônios em Marcos 5:7. A expressão marca sempre alguma distância, mas o grau varia muito: vai do demônio aterrorizado até a viúva de Sarepta falando com um profeta em quem ela ainda confia. O tom vem do contexto, e aqui o contexto termina com o sinal acontecendo. [maioria, com dissidência] Sobre o vocativo dirigido à mãe, não há paralelo claro na literatura grega, e os estudiosos divergem sobre o peso disso. [debate aberto]

O que significa "ainda não é chegada a minha hora"? (2:4)

"Hora" é termo técnico em João. Ele aparece em três formatos: a hora que ainda não chegou (2:4; 7:30; 8:20), a hora que vem (4:21,23; 5:25), e a hora que chegou (12:23,27; 13:1; 17:1). No conjunto do Evangelho, a hora é o momento da morte e da exaltação. Há consenso amplo de que a hora em 12 a 17 é a paixão. Há maioria, com dissidência, sobre se 2:4 já aponta programaticamente para ela. O que a frase estabelece com clareza é quem decide a agenda: não é a necessidade que aparece, nem quem a traz.

Por que seis talhas de pedra, e quanto vinho foi aquilo? (2:6)

Pedra porque, na lei de pureza, vaso de barro contaminado precisava ser quebrado, enquanto pedra era tida como material que não contrai impureza. A arqueologia da Judeia do Segundo Templo confirma uma indústria de vasos de pedra por esse motivo, e a Mishná registra a regra, embora seja fonte de por volta de 200 d.C. [consenso amplo] Sobre o volume, cada talha levava "duas ou três metretas", e a metreta é estimada em torno de 35 a 40 litros, o que dá algo entre 420 e 720 litros no total. [maioria, com dissidência] O excesso é parte do sinal. Já o simbolismo do número seis, muito repetido em pregação como sinal de incompletude, não é comentado por João e não tem apoio firme. [debate aberto]

Se os discípulos já criam, o que muda em 2:11 e em 2:22?

Em João, crer não é interruptor, é escala. Em 1:35-51 eles já seguem e já confessam títulos altos. O que 2:11 acrescenta é que agora a fé deles está ancorada num sinal e na glória, exatamente o que o prólogo prometeu em 1:14. Já 2:22 é outra coisa: compreensão retroativa. Só depois da ressurreição a frase sobre o templo faz sentido, e João explicita esse mecanismo em 12:16 e em 14:26. Qual Escritura eles creram em 2:22 o texto não diz.

Quem são os "irmãos" de Jesus? (2:12)

O versículo apenas registra que existiam. Três posições históricas disputam o sentido de adelphós aqui: filhos posteriores de Maria e José, que é a leitura majoritária entre protestantes; filhos de José de um casamento anterior, posição das igrejas orientais; e primos ou parentes próximos, posição de Jerônimo, adotada pelo catolicismo romano e apoiada no uso ampliado que o termo pode ter em contexto semita. Linguisticamente, o sentido mais natural em grego comum é irmão de sangue, mas a extensão é possível. [debate aberto] Um dado que João acrescenta depois: em 7:5, nem mesmo os irmãos dele criam nele.

O comércio no templo era corrupção ou serviço necessário? (2:14-16)

As duas coisas, e é isso que torna a cena difícil. Cada peça daquele mercado tinha justificativa piedosa e funcional: o animal do sacrifício precisava ser sem defeito e passar por inspeção; peregrino de longe não levava boi vivo por semanas de estrada; o imposto do meio siclo é ordenança de Êxodo 30:13-16; a moeda romana trazia imagem idólatra, e a troca por siclo de Tiro era escrúpulo de pureza; e o câmbio tinha taxa regulamentada. O comércio ficava, pela leitura majoritária, no átrio dos gentios, o único espaço acessível a quem vinha de fora. [maioria, com dissidência] Jesus não contesta nenhuma dessas justificativas. Ele nomeia apenas o que aquilo transformou o lugar em: casa de negócio.

Jesus usou o açoite contra pessoas? (2:15)

O texto não fecha a questão, e o debate acadêmico é recente e sério. A ambiguidade é gramatical: "todos" está no masculino plural, mas isso não prova que há gente incluída, porque um conjunto misto de animais já puxaria o masculino. A frase pode significar "expulsou todos, com as ovelhas e os bois" ou "expulsou tudo, isto é, as ovelhas e os bois". As traduções se dividem: a NRSVue inclui as pessoas, a Good News Translation fala apenas dos animais. Croy, no Journal of Biblical Literature de 2009, conclui que Jesus não aplicou o açoite em pessoas; Alexis-Baker, em Biblical Interpretation de 2012, vai além e sustenta que nem nos animais. Do outro lado, Avalos contesta a leitura não violenta e a considera menos plausível gramaticalmente. Um detalhe do próprio texto: aos vendedores de pombas Jesus não usa açoite, ele fala (v. 16). [debate aberto]

Que templo levou quarenta e seis anos, e houve uma ou duas purificações? (2:20)

A base externa é Josefo, que situa o início da reconstrução herodiana no décimo oitavo ano do reinado de Herodes, geralmente datado por volta de 20 ou 19 a.C. Contando de forma inclusiva, chega-se a algo entre 27 e 30 d.C. para esta Páscoa, faixa compatível com outras indicações do início do ministério. A incerteza está no sistema de datação do reinado e em se a conta parte do santuário ou do complexo, que continuou em obras por décadas. [maioria, com dissidência] Sobre a purificação, João a coloca no início do ministério e os sinóticos na última semana. Uma parte da crítica entende um único evento reposicionado por João como programa teológico; outra defende dois episódios distintos. Nenhum dos lados venceu. [debate aberto]

Leitura livre

Eu sei que a forma como Jesus trata Maria é comum para o contexto da época e não é agressiva como muitos interpretam. Sei também que o que ele quer dizer é que quem determina a hora de Jesus é o Pai, e não o homem, nem a mulher, nem a sua própria mãe.

Depois que Jesus responde, a reação da mãe carrega grandes ensinamentos sobre fé. Não importa o que. Não importa como. Apenas façam tudo o que Ele mandar. Isso serve para todos nós. Cheguei aqui pensando que era a fé dela que fazia o milagre acontecer, mas não é isso. É a postura correta diante de alguém cuja agenda ela não controla.

Interessante mencionar que os serviçais sabiam. Eram testemunhas do milagre. Serviçais. Próximos a Jesus, presenciando o Seu primeiro milagre em toda a sua glória. Enquanto isso, o encarregado apenas prova e recebe como mero vinho, e ainda parabeniza o noivo, que não teve nada a ver com aquilo. Isso me fez refletir sobre como Jesus pode operar quando e da forma que o Pai quer, mesmo em benefício de quem não O conhece, tamanho o seu amor por todas as almas.

Todos servem primeiro o melhor vinho e depois, quando o critério diminui naturalmente, o vinho inferior é servido. Assim é uma vida guiada pelas aparências. Todos se esforçam para ser o melhor que podem ser em qualquer primeiro encontro. Depois de muitos é que começam a mostrar, ou a não mais conseguir disfarçar, os defeitos. O famoso "a primeira impressão é a que fica". A virada para o melhor vindo quando a qualidade deveria cair prova a constância do amor e do cuidado de Deus por nós. Sempre é o melhor com Ele e através Dele.

Tudo o que Ele nos manda fazer é para o nosso bem maior, e é inerente a um plano de longo prazo que não entendemos, um plano que pode ou não envolver bênçãos que podem ou não vir dentro de quatro dias, como no caso de Lázaro. Hoje tenho a ideia de que, ao fazermos tudo o que Ele manda, conseguimos trilhar o caminho até alcançar o lugar de Paulo, tanto na fome quanto na fartura. Talvez essa seja de fato a nossa libertação.

A cena do templo sempre foi uma das que mais conversaram comigo em todo o Novo Testamento, porque eu percebo essa realidade o tempo inteiro no mundo e nas igrejas. É triste ver que sempre encontram uma forma, em todas as gerações, de fazer da casa do Pai um mercado.

Quando desafiado sobre um sinal, Jesus revela todo o plano de redenção em pouquíssimas linhas, e ninguém ali entende, nem amigo nem inimigo.

O fim do capítulo é forte porque é uma prova de que Jesus conhece cada ser humano da existência de forma individual, e isso é grande. E é forte porque aqui João está falando sobre os que creram no seu nome, os que viram os sinais. Nem quem crê escapa disso. Jesus bem sabia o que havia dentro do ser humano. Veio para separar, para libertar, para purificar, para uma vida na eternidade com Ele.

Discernimento

Maria como intercessora (2:4-5)

Muitos católicos usam essa passagem para atribuir algum tipo de divindade a Maria, como se ela tivesse sido o motivo ou o agente que ocasionou o primeiro milagre de Jesus e, com isso, pudesse ser encarada, junto com outros santos, como intercessora. Mas não imagino que seja isso que o texto queira ensinar. Maria, apesar de bem-aventurada e privilegiada, era humana como qualquer um de nós, com toda honra, glória e oração devendo ser direcionadas a Deus através de Seu Filho, Jesus.

O texto reforça isso de três formas. Em todo o Evangelho de João ela nunca é chamada pelo nome, é sempre "a mãe de Jesus". Ela aparece duas vezes, aqui e ao pé da cruz. E a última coisa que ela diz, em qualquer Evangelho, é "fazei tudo o que ele vos disser", uma frase que aponta para fora de si. Quem usa 2:5 para chegar em Maria tropeça na única coisa que Maria pediu.

O mercado na casa do Pai (2:14-16)

O mercado dos óleos de unção sortidos, os livros e cursos pagos para quem quer estudar as Escrituras, os dízimos e ofertas transformados em status, com igrejas priorizando relação com quem oferta mais. Templos suntuosos, carros luxuosos, eventos milionários, espetacularização. Isso é uma das coisas que mais me entristece hoje.

O que a cena acrescenta a essa indignação é o que ela não faz. Jesus não contesta nenhuma das justificativas do comércio, e elas eram boas. Não regula a taxa do cambista, não moraliza o vendedor, não propõe transparência. Ele nomeia o que aquilo transformou o lugar em, e depois aponta para o próprio corpo (v. 21). Não houve reforma do sistema de acesso, houve substituição dele. Se há um só Mediador, quem se coloca como átrio obrigatório está ocupando lugar que já tem dono.

O açoite e o que se faz com ele (2:15)

Os dois usos indevidos desta cena são simétricos, e a literatura recente rejeita os dois. De um lado, quem a usa para chancelar violência e agressividade "santa", como se o gesto fosse modelo de conduta para o discípulo. De outro, quem apaga toda dureza do episódio para preservar uma imagem inofensiva de Jesus, ignorando os verbos fortes do texto. A chave que desarma o primeiro uso é esta: João apresenta a ação em função da revelação de quem Jesus é, não como norma de comportamento. O que a cena mostra é o dono da casa chegando na casa dele. Ninguém mais ocupa esse lugar.

Pra levar

"Fazei tudo o que ele vos disser" (João 2:5)

A obediência não nos dá controle sobre os sinais. Ela nos molda à semelhança de quem os realiza.

Pra refletir na semana

  • Onde você está esperando entender para só então obedecer?
  • Quem pode estar ficando do lado de fora por causa do espaço que você ocupa?
  • O que em você ainda vive como se Jesus não soubesse?